Sobre Mim & A Minha Mágoa Secreta de Envelhecer
Mundo, mundo, estranho mundo,
Ainda que eu fosse a Rapunzel,
Não seria menos cruel,
Seria só uma atenuação.
Mundo, mundo, injusto mundo,
Por que feres tanto o meu coração?
- Júlio B. -Oi...
Eu sou o Júlio.
E o "B." não é a abreviação de nenhum dos meus sobrenomes. É mais um tributo pessoal à relação de longa data que eu tenho com certas circunstâncias ao redor de mim. É que heterônimos me cansam, mas não as coincidências. Eu sempre preferi os B-Sides, eu gosto dos Beatles, do Belle And Sebastian, do Blur, eu moro no Brasil, em BH, e penso muito em um misterioso asteróide supostamente chamado B612, entre tantas outras coincidências.Eu sei, não foi nada original, mas entranhei o "O Pequeno Príncipe" como uma espécie de tema pro site, provavelmente por outra convergência em meu universo particular - minhas amarguras infantis, as rosas e serpentes em meu caminho, e todas as coisas nas quais eu acredito e a raposa disse.
O meu mundinho aperta o peito. Passei por sete planetas até voltar pra cá, através do veneno de uma promessa que ainda está no ar. O caminho tem lá as suas rosas, mas tem sido mais de espinhos, eu preciso dizer. Mas sigo. De lugar em lugar, dormindo em um bairro e acordando em outro. Já nem lembro mais em quantas camas eu dormi (na grande maioria delas sozinho). Foram tantas as cidades nas quais deixei escombros de sonhos que já nem dá mais pra juntar. Agora é sonhar tudo de novo. Em Curitiba tentei o maior. Uma cicatriz exposta de amadurecimento que carregarei comigo até o fim. Os melhores dias, isso sim! Belo Horizonte é uma cidade que me divide, e me encanta, e onde vivo agora. Onde tento reconstruir os meus sonhos nesses dias tão melhores do que os que já passaram. B e H são, coincidência, as duas letras que eu mais gosto.
Escrevo alguns versos, alguns textos, e algumas outras estórias, e publico aqui, na vastidão desta rede interligada. Escrevo sem censura e sem necessidade de aprovação de qualquer forma. Sei da minha subjetividade e das minhas intenções, e também sei que muitos podem nem considerar literatura o que eu faço. Mas não ligo, continuo escrevendo. Escrever é mais do que uma válvula de escape de qualquer rotina ou realidade, mais do que um hobby ou uma profissão, é um prazer arriscado que me permito o tempo todo.
Alguns verão aspectos depressivos no que faço. Não, não. Do fundo de qualquer poço, e eu passei a maior parte do meu tempo assim, eu sempre falei das possíveis saídas de lá. O otimismo me é inerente, e causa de quase todas as minhas frustrações. Mas eu respeito o meu jeito, e consigo rir de mim mesmo, das minhas contradições e das ironias das circunstâncias. O senso de humor está sempre presente, nos maneirismos, nas entrelinhas, na acidez, nos detalhes que permeiam a despretensão. Se um dia você me encontrar por aí, possivelmente não será pra baixo. E, se você me vir sorrindo, terá sido um ótimo começo. É mais poético deixar nesses termos.
"Then I defy you, stars"
William Shakespeare, Romeu & Julieta
