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Le Postiche

Inveja.
Inveja profunda.

Inveja de vê-los abraçados!
Sorriso oculto, sorriso metático.
E beijos.
Carinhos que despertam em mim a mais destrutiva inveja.

Orelhas vermelhas (seria pela minha inveja?).
Dedos nos lugares certos, mas não são meus.

Continuo minha luta para sobreviver.
Esforço-me bastante para continuar de pé no passo seguinte,
mas vejo o jovem casal abraçado.
Corrói tudo em mim a inveja que sinto do que vejo.
E me sinto postiço.

Agora, São Paulo.
São Paulo é como o mundo todo, disse Caetano.
Mas, diferente da música, no mundo, um grande amor ainda nem encontrei.
Apenas solidão (e muita inveja).

Agora, vejo-os aos beijos na boca.
Algumas existências eu invejo.
Outras, eu desejo ser.

Existiriam céus, deuses, destinos, almas gêmeas, e tudo mais?
Eu não acredito.
Acredito em solidão
(assim como me encontro agora, assim como quase constante).

Acredito em mim.
Acredito na minha vontade de existir.
Mas tenho andado muito fraco.
Preciso de um antiácido, ou um anti-inveja, ou qualquer anti-corrosivo.

Invejo profundamente o que agora vejo.
Invejo e desejo.

Espero pela minha vez.
Quem sabe um dia?
Quem sabe amor?


(Júlio B.)
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