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Por Caminhos Tortuosos

A despeito de mim mesmo, o meu tempo vai passando,
e, por vezes, vivo só a vida que a mim se impõe.
As minhas tantas vontades, apenas de quando em quando.
Outra vida? Não há dia que com ela eu não sonhe.

E não sonho só com uma, sonho com duas, seis, dez,
mas eu nem consigo mais ver clara uma saída.
Tortuosos, os caminhos é que passam sob meus pés.
E vou deixando, vou indo, desacordado da vida.

Tento quando posso retomar as rédeas da carruagem,
mas de todos os lados surgem ameaças e perigo:
os anos aumentam tanto e nem sempre tenho coragem,
troco, às vezes, liberdade por segurança e abrigo.

E sigo por trilhos mornos, tropeçando em seus dormentes,
condenado a ter sempre as mesmas estações como destino,
mas não é isso que me pedem os meus desejos urgentes,
pedem caminhos mais tortuosos, e quase sempre eu declino.

Não sei mais das minhas forças, só que ainda estou vivo.
Não sei se me arrisco mais, não sei o quanto eu poderia,
não estou certo de nada, nem perto de um objetivo.
No fim disso tudo, vou vivendo à minha própria revelia.


(Júlio B.)
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