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Fetiche

Em primeiro lugar: não tenho culpa por sentir essas coisas.
Depois, tudo isso já faz parte de mim.
Já é o que eu sou.
Eu sou a mesma dor que me atormenta.
Eu sou a minha busca por alívio.
Ouço Sigur Rós e quase choro.
Vejo uma foto de um jovem casal de namorados e quase choro.
Mas não choro pela minha dor.
Para essa, sou duro.
Choro pela felicidade que vejo nos outros.
Espero a minha chegar.
Esse sou eu.

Na verdade, só deixo a tristeza me invadir
porque não tenho outra opção.

Mas ei, isso aqui não deveria ser poesia?
Onde está o céu estrelado?
A luz nos olhos de um amor?

Ah, finalmente, a palavra amor.
Agora já está parecendo poesia.
Só faltam algumas rimas:

Negação me corrói.
Solidão me destrói.
Falta de carinhos.
Falta de caminhos.

Não sei por onde seguir.
Às vezes, vou por aí,
simplesmente,
descontente.
Triste.

Preciso de algo que rime com triste.
Fetiche?

Não rima o bastante,
mas me descreve melhor do que a rima.
Entrega meus pontos fracos em seu significado.
Nem quero mais rimar.
Encontrei a minha palavra.

Fetiche.

Agora, vou ouvir Neil Young e sofrer mais um pouco.
Queria estar aconchegado em certo peito.
Mas não há peito, não há ninguém.
O que posso fazer para sair dessa condição?
Tento e tento e tento, mas acabo em solidão.
Não é minha opção...


(Júlio B.)
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