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À Amélia (Por Inveja)

Eu nunca soube o que é ser amado.
Nunca houve ninguém ao meu lado como ao lado dela há.
Nunca houve.
De amor, eu nunca soube e, talvez, nem mereça.

Esqueci-me da casta beleza trágica do platonismo
e entreguei-me à maldade vulgar pelo prazer carnal.
Quisera eu ter ainda, pelo menos, as falsas ilusões.
Quisera eu poder ainda acreditar que sou romântico.

Ah, quisera eu não ter sido tão mal perdedor!
Quisera eu ter mantido a dignidade perante a rejeição.
Quisera eu alguém pra desejar um beijo meu.
Alguém que pensasse em mim fitando o céu estrelado.

E Amélia... ah, ela tem isso tudo!
Ela ficou com o que eu mais queria na vida!
Ah, que inveja tenho de Amélia!
Quisera eu ter por um instante o que ela tem facilmente.

Mas quero que Amélia o faça feliz...
Se, pelas burradas que fiz, eu nada mereço...
Ele merece toda a recompensa do mundo.
Então, que ela o faça muito feliz.

Mas não escondo a minha inveja.
Inveja e autodepreciação
por ela ser o que eu jamais serei...
Por ela receber o amor que tanto desejei.

Amélia não sabe do meu canto sofrido,
não sabe a dor do meu coração partido,
não sabe o que eu tenho vivido...
O que eu tenho vivido?

A expiação de um oceano de remorso e dor,
mas, seja como for, já é hora de enfrentar o passado,
com a mesma intensidade, mas na direção oposta.
Ah, Amélia, mulher de verdade, faça-o feliz.


(Júlio B.)
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