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Infinitesimal & Ltda

Cacos de vidro pelo chão da cozinha.
Gotas de sangue de dedo cortado.
Pensamentos automáticos.
Amanhã quem sabe eu...?

Leite derramado entre os ladrilhos.
Chorar já não surte mais efeito.
Lágrimas agora são piegas.
É tudo tão efêmero...

Sofisticados requintes de solidão
no vazio que me cerca.
As vontades são infinitas
e cada instante é uma chance...
Mas nunca sobra tempo...

Amanhã.
Amanhã quem sabe eu...?
Ontem eu disse o mesmo,
mas hoje infelizmente não dá.

Cacos de vidro coloridos na lixeira,
em sacolas plásticas de supermercado.
Formigas no rastro doce pelo chão.
Amanhã eu compro um formicida.

No fim, restam os pesares
escorrendo pelo ralo do banheiro.
A tristeza ainda é por estar sozinho.

É tanta gente no mundo,
que solidão não faz sentido.
Tento entender o infinito
enquanto lavo meu umbigo...

Amanhã.
Amanhã quem sabe eu...?


(Júlio B.)
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