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Um Poema Para Uma Paixão Fulminante

Gostei de você antes mesmo de te ver por completo.
Eu fiquei perplexo só de termos trocado um sorriso.
O acaso não raro faz isso comigo...
Resisto enquanto consigo, mas às vezes me declaro:
garoto,
eu estou perdidamente apaixonado por você.

Oh, o seu olhar sabe me enlouquecer!

Moleque, que mágica é essa que você tem?
Eu fui feito refém sem chance de me defender,
um pouco por querer, um tanto pra sobreviver.

Ver você é um risco que sempre quero,
invejo e venero, arrisco mais do que deveria.
Zelo a cada dia para que não me consuma essa chama,
incêndio em minha cama solitária,
na minha cabeça arbitrária que vive a fantasiar,
habitat de tanto romantismo que nunca vai se consumar.
Oh, o seu sorriso outra vez a me perturbar...

A realidade sempre foi crua com meu peito aberto,
de coragem nua, de vontades turvas, de rumo incerto,
o tempo escasso nunca me deu muito espaço pra tentar.
Logo quando estou mais carente você vem me arrebatar?
Eu vivo sem presente, sempre a esperar, a sonhar,
sei que seu sorriso que tanto admiro, pelo qual suspiro,
com o qual me viro nesses dias em que tudo me falta,
esse sorriso que salta de seus lábios sábios como trampolim,
nunca será um sorriso para mim, nunca terei uma chance,
tenho apenas esses relances de encontros ocasionais
e eu sei que além disso eu nunca terei nada a mais...

Partiria agora mesmo, se fosse preciso pra me salvar.
Ou ficaria, só pra ver mais um sorriso sem você notar.
Resistiria até à dor muscular pra conseguir te acompanhar.

Qualquer hora, qualquer demora, qualquer lugar,
um sinal de chance de te encontrar e parto na lata,
e vago como barata tonta por todos os cantos
morrendo aos prantos ao perceber que não vou te achar.

Mas nesse universo tão grande de solidão,
eis que um dia nós dois passamos pelo mesmo saguão!

Ah, acaso sádico, o meu dia então está salvo!
Passo de caçador a alvo, e o faço com louvor,
ardendo de vontade de um esbarrão no elevador.
Implodindo sem alarde de tentação por seu ataque,
xeque-mate que me abate e que eu gosto do baque,
o calor de tudo isso me deu coragem de romper o lacre,
não me dirijo mais a você com vocativos epicenos,
e sem ligar pros problemas pequenos acerca do tema,
inspirado por seu sorriso, garoto, eu escrevi esse poema.


(Júlio B.)
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