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Tantos de Mim

Eu podia ter sido tanta coisa,
podia ter sido o que eu quisesse,
mas...
há tantos de mim,
tantos sonhos,
desejos, segredos,
que eu me perdi.
Ainda estou perdido, eu sei.
Eu tenho noção da desorientação,
eu consigo ver a confusão na qual me meti,
inclusive estou tentando o tempo todo
dar um jeito nela,
mas existem tantas dimensões para cuidar...
Eu deveria focar em uma,
ou algumas poucas, eu sei
mas simplicidade nunca foi uma amiga,
pelo contrário, sempre pareceu zombar de mim.
Por quê?
Provavelmente porque eu sou meio bobinho.
Covarde, pelo menos.
É isso aí.
Uma vez, muito tempo atrás, eu fui covarde,
escondendo todos de mim que não me era conveniente mostrar.
Pra evitar conflitos, pra evitar exposição,
pra evitar bullying, pra evitar repressão.
Funcionou na época, mas virou uma bola de neve,
e tive que continuar escondendo outros tantos de mim
e tudo que a eles fosse relacionado,
e vivo assim até hoje,
filtrando-me.
Uma bola de neve extremamente complicada
de fazer parar de rolar em direção
ao fim mais trágico que tento evitar:
mediocridade.
Há tantos de mim
e apenas um é medíocre!
Mas, infelizmente, foi este que eu escolhi
mostrar pra maioria das pessoas,
porque é mais fácil socializar quando se é mediano,
eu sabia disso na época que comecei a esconder tantos de mim,
só não sabia que seria o meu maior erro,
dificílimo de contornar depois de adulto.
Dificílimo, não impossível.
Eu era uma criança.
E eu posso me perdoar por isso.
Eu já perdoei tantos de mim.
Mas não vou me perdoar se eu não fizer nada a respeito agora.
Eu preciso, por todos de mim.
Eu preciso encontrar um jeito
de deixar todos de mim que foram escondidos se revelarem.
Como?
Ainda não sei.
Quero que seja algo mais natural,
mas se não der, que seja forçado mesmo.
Eu não sei.
Estou trabalhando nisso.
Eu poderia ter sido tanta coisa, tempos atrás,
O que eu quero primeiro?
Quem eu vou mostrar primeiro?
Vamos lá, foco.

(- Por favor, eu, eu.)


(Júlio B.)
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