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O Fluxo das Anti-Matérias

Eu o vejo, invisível,
vindo a galope,
não consigo fugir do seu trote,
é inevitável que me atropele,
que esfole minha pele,
mas ninguém mais o notará.

Ele vem como um pesadelo
no meio da noite mais escura,
frio e denso como o gelo,
e me prende em seu galopar,
sem ter como acordar.

Ele vem como radiação cancerígena
sob a luz do sol mais escaldante,
chega como um alienígena,
se estabelece como um farsante,
e me adoece, me desfalece,
me deixa sem forças pra lutar.

E tão certo quanto ele vem e me atira ao mar,
ele se vai e me deixa sozinho a naufragar.

Eu sei nadar,
mas depois de todo o fluxo de anti-matérias
as coisas ficam um pouco mais sérias,
pesadas, sem graça,
não quero mais nada,
ele me abraça,
e eu me permito afundar.


(Júlio B.)
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