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A Vergonha

Nem sempre eu penso nela,
mas ela existe.
Nem sempre eu penso,
porque não me exponho.
Se a vissem como ela é,
eu a sentiria doer na pele
a cada olhar,
mas não a vêem.

Ela é minha,
não flerta com os olhos alheios,
os que vêem de fora.
Mal flerta comigo,
apenas quando me investigo,
aí eu sei que ela está aqui.
A vergonha.

Vergonha de quê?
Não, não vou falar.
Porque mesmo não tendo motivos aparentes para tê-la,
eu a tenho, grave, intrincada,
muito íntima, pessoal, instintiva.
Ela incide sobre cernes mais íntimos do que os ossos
do que a medula dentro dos ossos,
do que meu fígado, meu basso.

Ela é minha.
Eu assumo que tenho.
Mas asseguro que venho tentando descobrir
as melhores formas de conviver com ela
por todos estes anos de vida.

Eu não a amo,
mas respeito sua existência.
Não exijo que saia de mim,
até mesmo porque ela sou eu.
O eu de dentro.
A vergonha.
A vergonha da vergonha.


(Júlio B.)
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