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Adeus, Milton Campos

Quanto tempo passei aqui?
Desde a segunda morada
até os doze anos de servidão?

Quanto da minha vida se passou
neste cruzamento de avenidas tão movimentadas?
Eu sabia perfeitamente
como atravessá-las no menor tempo,
os atalhos,
a cor dos ipês,
mesmo no outono,
a ordem dos semáforos,
onde me esconder do sol em cada parte.

Do alto da serra,
olhando pro cruzeiro,
fui funcionário em conflito:
ir pra um agito na Savassi,
fazer hora no trabalho,
ou ir pra casa escrever o meu impasse?

Ah, os melhores anos da minha vida!
Mas outros tantos virão,
espero,
e que sejam melhores também,
eu quero,
que sejam meus.

Mas agora digo adeus,
com um suspiro morno de pena,
ao cruzamento da Contorno com Afonso Pena.


(Júlio B.)
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