Início | Versos | Prosas | Músicas | Sobre Mim


A Última Caminhada Pelas Ruas Escuras Onde Não Estacionarei Mais

Escuro,
pichado muro,
poesia nua
honrando a lua
sem tirar os pés do chão.
Qual a sensação?
Qual a tentação?
Perigo alertado,
nunca avistado,
só no vidro quebrado
e no furtado que estava à vista,
que era conquista bem-quista,
que sumiu sem deixar pista
no passar dos dias,
passando por ruas sombrias,
casas vazias,
paredes frias descascadas...
Quantas vezes tais casas foram roubadas?
Quantas vezes foram sorte lançada?
Vagas contra as horas atrasadas?
Voltas e voltas angustiadas?
Vi o chão baldio
se transformar em edifício frio.
Vi a copa das amendoeiras
ser varrida por faxineiras.
Acabou.
A necessidade mudou.
Não estacionarei mais em tais ruas
de poesias nuas em paredes cruas.
Nem passarei mais por elas,
nem por portas, nem janelas
de alumínio, amarelas...
Esta será a minha última caminhada
até a vaga encontrada mais cedo,
e sigo sem medo.
Que venha o futuro!
Escuro,
vejo pela última vez o muro
contra o qual esbarro.
Caminho até o carro,
em marcha que se atrasa,
para flutuar em suas asas,
indo embora pra casa.


(Júlio B.)
www.000webhost.com