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Vinte E Um Anos, Tempo Demais

Duas e cinquenta da manhã.
O Renato Russo acabou de cantar: "somos tão jovens",
mas justo hoje completo vinte e um anos.
Não estou feliz, estou perplexo.
Queria me sentir jovem, mas me sinto tão desgastado.
O tempo para mim é uma contínua injeção letal.
A cada ano, parece que envelheço mais rápido,
e parece que fiz muito menos coisas do que no ano anterior.
São vinte e um anos agora.
A barreira psicológica foi quebrada.
Estou oficialmente desligado dos meus sonhos.
Mas não posso evitar.
Perco minha juventude, minha vivacidade,
e ainda esperam que eu sorria.
A esperança anda curta, e já nem sei mais.
Afinal, são vinte e um anos de solidão.
Nem um carinho sonhado, um sorriso encantado,
nem um desejo ardente correspondido.
Vinte e um anos não é pouco tempo pra isso.
Bem vindos, está e a minha vida vazia!
O fim chega mais cedo.
Chega em vida e não em morte.
Morreu o que eu tinha de mais precioso.
De consolo fica apenas uma realidade fria,
capitalista, consumista, controlada, acerebrada.
E deixo meu grito de socorro nesse dia,
em vez de assopro de velinhas.
Eu sei, ficamos mais velhos a cada instante,
mas a simbologia do anirversário é muito forte.
Não deveria ser comemorado.
Aniversários são velórios em prestações.
Mas algum dia, em algum lugar, eu terei a minha vez.
E aprenderei a comemorar cada fase.


(Júlio B.)
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