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Beijos Falsos Não Têm Gosto Bom

Talvez eu já tenha sido enganado
por um orgasmo falso, encenado,
por todo o resto, mas o beijo não.
Beijos falsos não têm gosto bom.

Ainda que se coloquem os lábios
em cursos de atuação com sábios
e especialistas em beijo técnico,
não fica igual, o gosto é sintético.

Mesmo que a língua seja usada,
mesmo com saliva, com pegada,
há um estalo mágico ao beijar
que é impossível de se simular.

É a sinergia do desejo mútuo,
da delícia efêmera do perpétuo,
as cócegas que dão na alma,
a comichão que não se acalma.

É algo no rosto que eu não vejo,
mas queria ver enquanto beijo,
mas não vejo: beijo bem dado
deve ser de olhos bem fechados.

Tem algo da mão que desliza
nuca acima, afoita, imprecisa,
mas pressionando contra a sua
a outra face, duas bocas nuas.

E assim como um beijo falso
não me engana em seu percalço,
também eu não consigo fingi-lo,
nem compreender o seu estilo.

Para as outras carências afetivas,
há sempre uma solução alternativa,
um plano B, uma compensação,
mas para o beijo verdadeiro não.

Só há um meio de sanar a vontade,
é dar um beijo daqueles de verdade.
Sincroniza as almas, afina o tom.
Beijos verdadeiros têm o gosto bom.


(Júlio B.)
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