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Mesmo Permitido, Estou Partindo

Estou partindo.
Está queimando.
Ainda agora.
Não quero isso mais não.
A noite trás estrelas e desejos,
mas eu termino sempre sozinho.
Não quero mais acabar assim não.
Por que vieste à minha casa me perturbar?
Por que vieste me mostrar um caminho possível?
Eu já sei como vai ser:
primeiro, a arrebatadora empolgação,
depois, vem a dura realidade então.
E, por fim, só mais uma decepção.
Não, não quero isso mais não
tudo em mim está em chamas.
Está queimando por dentro agora,
e por tua causa, teu rosto, tua pele.
Por que tiveste de vir aqui?
Não quero me acabar assim de novo não.
Seria mais uma vez em vão, eu sei.
Tu és a perfeição, a beleza do mundo,
e eu sou estranho e desajeitado.
Sei que não sou o que desejas.
Não caibo nos teus gostos.
É só o meu coração que dispara
quando percebe no ar o teu perfume!
Não quero esse platonismo mais não.
Por isso, estou partindo.
E que fique bem claro que, mesmo permitido,
tu ainda estás a anos-luz de distância do meu alcance.
Não quero sofrer assim mais não.
Por que vieste à minha casa?
Para me fazer arder em desejo?
Para me deixar assim e ir embora?
Não, não caio nessa mais não.
É só sofrimento no fim das contas.
E nem seria culpa da hipocrisia do mundo dessa vez.
Tu és permitido.
Ainda assim, impossível, mas não ilegal.
És permitidom, mas não és pra mim.
Meu mundo não é o teu mundo.
Estou partindo antes que minhas forças cheguem ao fim.


(Júlio B.)
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