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O Desejo Alien

Arde como brasa em minhas mãos,
e não se apaga com água,
nem extintor de incêndio,
esse ardor não é daqui,
a nossa ciência não explica.
É engrenagem outra,
não desliga por nada,
tomada cravada na pedra,
estátuas e rostos esquálidos,
mas o sangue flamejante,
em pleno inverno rigoroso,
queimando como o sol de verão,
triunfo da ambiguidade.
No meio plano e quadrado
do meu dia a dia ordinário,
o desejo rola ladeira abaixo
como explosiva esfera metálica
lançada por aviões seculares
em campos e plantações
onde desenha geometrias perfeitas
ao cortar os caules em riste.
O milharal sabe bem da navalha,
a palha sabe do fogo,
o lagarto sabe da águia
sempre à espreita no ar.
O calor faz suar,
é corpo estrangeiro,
não suporta o clima daqui,
esses funcionamentos brandos,
esses olhos brancos,
os dele pulsam vermelhos,
ardem de desejo,
vontade em chamas,
labaredas que deixam rastro,
caudas de cometas riscando o céu,
faíscas que cortam os fios,
eletricidade se dissipando
no espaço infinito do desejo,
um alien buscando o único lugar
no qual se satisfaz.


(Júlio B.)
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