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A Aridez da Barra

As motos aquáticas espirram água
em quem passa por tunéis quentes
como sardinhas de ônibus arredios
e só olham.
Mas a vista é árida,
é feia, é quente.
Se é bonita,
é para os poucos eleitos
que podem desfrutá-la,
mas não para quem passa,
não para quem trabalha.
O caminho é cinza,
é sem gente,
o sol estala na pele,
sem alívio,
sem sombra de árvore,
só de concreto,
um shopping a cada cem metros,
tudo concreto,
não cabe ali fantasia,
não cabe arte,
nada abstrato,
nem sentimento.

A barra é seca
para quem está nela mas não mora nela.


(Júlio B.)
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