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Amor Universal

O mundo é mesmo meio absurdo,
sádico, cego, mudo, surdo,
um mundo de poucos eleitos,
de conceitos que servem a eles,
feitos por eles, para eles,
aqueles, do mundo, senhores.
Um mundo de interesses, rigores,
limites impostos, falsos valores.
Abortamos sentimentos por pudores,
sufocamos desejos por temores
e deixamos de lado o essencial,
o que nos torna humanos, o universal:
o ímpeto que pulsa imáculo em cada um.
Aceitar as regras do jogo é tão comum,
é o mais racional para sobrevivência,
para perpetuar nossa existência,
a adaptação, a evolução,
mas... não!
A razão é só a manifestação
do pensamento de um tempo,
e isso muda de tempos em tempos,
e o tempo põe qualquer valor de cabeça pra baixo.
Agora não me encaixo, mas me encaixaria em outra época.
Agora me julgam, mas seria eu o juiz por outra ética.
Agora sou eu o diferente,
e me permito ser, eu sigo em frente,
eu vou viver.
Serei como me sinto por dentro,
no centro das minhas intenções,
na fonte das minhas pulsões.
O importante não é o que se vê com o coração?
Além desse, lá vai mais um monte de jargão:
não importa a roupa, o sexo, a idade, a cor.
Não importa a barreira, nem a fronteira,
só o que vai adiante é o amor.

Vem, é tudo do que precisamos.
Vamos, ainda que não seja permitido.
Não precisamos de permissão,
não faz sentido,
regular a felicidade alheia é pura contradição.
Sim, o mundo é mesmo meio absurdo.
Eu sei, eu não sou surdo.
A dor foi a minha grande escola,
comigo, o papo de certo e errado não cola,
mas o de amor até que rola.


(Júlio B.)
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