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Janeiro De 2015

O momento nunca foi de tamanha clareza.
De nó em nó, eu fui me desatando
nesses últimos sete anos,
nos quais pouco rodei,
ao invés, me aprofundei
em mim mesmo,
em meus sonhos,
meus desejos.

As tardes de internet ainda são parecidas,
clandestinas, embora agora se dividam
entre o computador do trabalho e o celular.
O mp3 ainda reina e os scrobbles no LastFm
se diversificaram a ponto de cansar.

Mas estive em quatro shows de ex-Beatles,
e ainda ontem cantei de cabeça
Vento no Litoral no carro à capela.
E hoje vazou o disco novo
do Belle & Sebastian na internet
e tantos amigos vieram me falar.

O ano começa maduro,
ou eu começo assim o ano.

De 2008 pra cá, tanta coisa mudou,
a vida melhorou, a juventude acabou.
Estive no velho continente,
conheci pelo mundo um tanto de gente,
mas foi aqui em Belo Horizonte
que encontrei o que procurava.

Rodei, rodei, e aqui aterrissei.
Desenrolei aqui o maior dos desejos
de todas as formas que consegui,
inclusive tornando humano
o que era vampiro à luz do sol.

Das velhas ambições,
olha só!, estou cuidando de todas,
os livros, as canções.
A interpretação de rock star
migra aos poucos pra engenharia de som.

De vez em quando ainda algum PHP,
mas só coisa própria,
é o C# que me acompanha toda tarde,
ou deveria.
Queria que fosse o ProTools.

O Éder nunca apareceu,
mas os amores sim,
os amores que ele sabia
mais do que ninguém
que eu tanto desejava.

A solidão ficou pra trás.
Essa pedra eu rolei.

Ainda há tanto por rolar,
mas de solidão não reclamo mais.
Claro que sempre há do que se reclamar,
mas eu estou bem.
Estou feliz
nesse janeiro de 2015.


(Júlio B.)
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