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"Objects Of My Affection"

Eu me lembro quando...
quando eu era solitário,
carente e solitário,
vagando incessante por ruas estranhas,
por horas, por dias,
e eu ainda tinha mais tempo pra escrever...
pra escrever os meus lamentos,
tormentos lapidados ao ar livre,
inspirado pelas canções
que eu costumava ouvir então,
há muito tempo atrás.

E a questão é:
eu era mais produtivo naquela época do que sou agora?

Felizmente, pra mim, a resposta é não.
O que eu produzo agora eu gosto mais.
Eu rio com mais frequência agora
e, se choro, é dor de amor,
não mais de solidão.
Há muito mais de mim em mim agora.

Eu me lembro do que me disse um algoz de dedo em riste
quando eu era um adolescente deslocado,
e que certamente ajudou a definir o que sou...
o que eu sou agora.
Ele disse:
"gays pobres como você nunca vão ser felizes, e vão morrer sozinhos".
Ah isso bateu bem fundo,
e revirou meu mundo!
E desde então parti em busca de me tornar o que sou.

Eu tentei, e eu tentei,
e eu tentei, e eu tentei,
e eu tentei cem mil vezes a cada nova vez,
cem mil vezes eu recomecei,
e tentei, tentei, tentei,
até que eu consegui ser feliz.

E, olha só, eu consegui.

Eu só quero fazer as coisas,
Eu só quero viver as coisas,
provar, olhar, tocar,
ouvir, fazer, saber as coisas.
E então eu posso ir.
E então eu posso ir sem nenhuma dor,
nenhum pesar,
nenhum clamor.


(Júlio B.)
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