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Inhotim

Enxurradas vermelhas,
de sangue, de tinta,
de salas, de sons,
de tranças, de transas,
de magnetismo, de fios
de entrelaçamentos improváveis,
de impressões e distorções
do que nem era vermelho,
em paredes coloridas
paridas do cascalho
de outras cores vívidas,
sobressaltadas, esculpidas,
de carne, de asas, de água,
de arame, de imagens,
de metal bruto, ereto
no seio do verde do mato,
das folhas árvores
nem sempre de verdade,
da grama da qual brotam letras,
sementes de palavras,
de sentido, que crescem
no horizonte arredondado,
molhado, suspenso, aceso,
instante efêmero
derretido no tempo,
na opulência botânica
que os turistas registram,
quando podem, em fotos,
e quando não, na memória,
tungas e oiticicas
e tantos outros
e nós
fazendo memória,
andando sobre cacos de vidro,
fazendo pedidos
perdidos em labirintos
que pra mim são fontes
de vida,
de inspiração,
são alívio mental
no cansaço e no descanso
saltando sem medo de cair
em espumas
deitado em redes cósmicas
no frio de guerras dedilhadas
por Hendrix,
e eu ouvindo,
sentindo,
refletido palíndrome,
estirado em bancos de madeira,
observando orquídeas raras
de tantas cores,
vermelhas,
no meio da natureza
dos lagos artificialmente coloridos.

Eu fiz lá um pedido,
que não tardou ser atendido.


(Júlio B.)
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