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O Príncipe da Torre de Veneza

Uma vez eu vi o retrato
de um príncipe encantado,
um daqueles de cinema,
que valia muito a pena
por ele eu me arriscar.

Era num reino distante,
a viagem era bem grande,
com mil riscos ao redor,
mas a vontade era maior,
e no calor fui até lá.

Era lindo, e era puro,
mas era tão alto o muro
do castelo em que vivia
que nenhum jeito havia
de no reino ingressar.

Mas, mesmo à distância,
ainda havia esperança,
porque ele também me viu
e lá de cima me sorriu,
e eu me pus a acreditar.

Ele vencia a fortaleza,
com toda a sua destreza,
e de encontro em encontro,
parecia de fadas o conto
que estávamos a criar.

Mas depois de um tempo,
ele propôs dar um tempo,
pois ele era da realeza
e eu não tinha certeza
se eu queria ingressar.

Mas não queria perdê-lo,
as carícias em seu cabelo,
a doçura de seus lábios.
Seus receios eram sábios,
mas preferi me aventurar.

A distância era problema,
mas era até coisa pequena
ante os muros do castelo.
Mas nosso amor era belo,
e um jeito eu ia dar.

Eu pensei em tanta coisa,
cada ideia mais doida,
e tal foi minha surpresa,
nessas terras de Veneza,
ao vê-lo se mudar pra cá.

Não sei como conseguiu,
mas todo obstáculo ruiu.
Os príncipes têm poderes
que nós, simples seres,
não podemos nem imaginar.

O meu príncipe encantado
foi supostamente trancado
em alta torre de pujança,
mas esta sem segurança,
e eu podia sempre entrar.

E, assim, fomos felizes,
nosso amor criou raízes,
foram tempos de beleza,
nessa torre de Veneza
que agora era seu lar.

Ele venceu o alto muro
e a tudo sempre vencerá.
Mas ninguém sabe o futuro
e o que futuro nos trará.
Mas futuro, ah, sempre há.


(Júlio B.)
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