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Quando Eu Só Tinha a Poesia

De uma gota de sangue apenas
eu extraía inúmeros poemas.
Eu suavizava a duras penas
o que de fato eram problemas.

Eu pegava um sentimento ruim
e o vestia de versos e refrão.
Até o vento que batia em mim,
eu o fazia virar uma canção.

Ah, eu fazia!
Mas isso era quando eu só tinha a poesia.

Eu ouvia uma curta declaração
e a esculpia em letras assonantes.
Trabalhava forte na aliteração
de minhas decepções tão constantes.

Das dores eu destilava sonetos.
Um beijo e um livro eu escrevia!
Marcava um encontro no coreto
e fazia da espera uma elegia.

Ah, eu fazia!
Mas isso era quando eu só tinha a poesia.

E quando caía em vis armadilhas,
eu floreava a minha decepção.
Eu transformava em redondilhas
qualquer dor no meu coração.

Ouvia a história de um brinco
e criava um personagem, uma trama.
De manhã, tomava um chá às cinco
e fazia um espirituoso epigrama.

Ah, eu fazia!
Mas isso era quando eu só tinha a poesia.

Agora eu tenho mais,
tenho uma vida,
tenho amor.


(Júlio B.)
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