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Grite, Apenas Grite

Tudo isso já foi dito antes,
já foi escrito, sentido, perdido,
reencontrado, lamentado,
e eu continuo aqui,
no desperdiçar das horas,
no vender delas,
no derreter de peça ordinária
dessa maquinaria fria
de controles cínicos
que não me enganam,
mas, apesar de tudo, eu continuo aqui,
em silêncio,
quando a única coisa a fazer nesse caso
seria gritar
com toda a força de meus pulmões,
gritar, apenas gritar,
porque enquanto eu aperto parafusos em códigos,
os outros artistas criam,
lapidam, aparam, melhoram,
aprimoram suas obras,
e eu apenas cuido de sobreviver
aqui nessa selva de máquinas,
na inevitabilidade de custos pra existir,
custos que eu pago em dia,
porque isto foi o que sempre mais quis:
existir, e bem,
mesmo que tal desejo me custe a minha arte,
ou qualquer outro preço a se pagar,
eu enfrento o que for,
e em silêncio,
mesmo sabendo que eu deveria gritar,
mas não grito,
ou, se grito, é pra dentro,
suportando por utopia travessa
todo o peso da rotina que eu levo,
aguentando e me sustentando como dá,
foi duro demais até aqui,
e só endurece mais com o passar do tempo,
com as responsabilidades assumidas
eternamente com aquilo que cativo,
e com aquilo que preciso,
e é tanta coisa que mal sobra tempo
pra dar forma a tanta inspiração
que fervilha em minha mente,
mas que nunca vai adiante,
no máximo, passo o dia a olhar de lado,
que é onde tenho deixado a poesia se mostrar.


(Júlio B.)
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