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A Maçã

Nem Eva, nem Turing, nem Branca de Neve,
nem Newton, nem Raul,
nem o exemplo de nenhum deles foi o bastante
pra me fazer não morder a maçã amaldiçoada
que pulei a vida toda sem descanso
pra tentar alcançar no galho mais alto
da árvore proibida.

Com o esforço de tanta insistência,
o impulso melhorou, os ataques também,
e aí um dia eu alcancei,
e tive enfim em minhas mãos
o fruto que tanto desejei.

E mordi com a maior convicção que já tive na vida.
Hesitar pra quê?
Foi sempre o que quis,
ainda é,
e sinto que será até o fim.

Não houve hesitação, não houve medo.
Houve sim a morte,
simbólica como em todos os exemplos,
a morte de qualquer interesse em mim
que não fosse genuinamente meu.
Reconheço que teria sido mais fácil
manter alguns deles
pra me manter no mundo em que eu vivia,
mas eu nunca quis o fácil,
quis o doce,
o que consegui a muito custo,
com muito suor e uma mordida.

Se a minha situação nesse mundo agora se complica,
a culpa eu sei que é minha,
mas o mérito também.

Como eu poderei me condenar por fazer o que mais quis?
Se quero, é então a minha lei.
Eu não poderia ficar preso que nem santo no altar.


(Júlio B.)
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