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Estrelinhas

Quis que fosse um soneto porque sou metido,
todos sabem, já não tenho mais solução,
troco o real por qualquer boa ilusão,
basta dar lance maior e está vendido.

Voo como um pássaro, ainda que ferido,
mas a dor é no corpo, não no coração.
E coração é metáfora que uso em vão,
porque aqui pieguice nem faz sentido.

Aparta-me do silêncio o fone de ouvido,
zunido que dá corda à imaginação.
Sigo sem me importar com que horas são.

Nunca fiz muita força pra ser entendido:
sentei para ficar escrevendo entrelinhas,
abri os olhos e fiquei vendo estrelinhas.


(Júlio B.)
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