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Completando o Ciclo

Quantas coisas eu já perdi pelo caminho?
E quantas mais eu teria perdido
não fosse pela minha obstinação irracional em encontrá-las?
Às vezes, passa por um fio,
bate na trave, se perde por detalhe,
acende a chama involuntária que remói,
dói,
fica o gosto ruim do que poderia ter sido,
um gosto que amarga, mas que um dia passa,
e quem sabe um outro dia, do nada,
assim, num domingo de madrugada,
numa sexta passada,
numa segunda nublada,
numa quinta ensolarada,
quem sabe, assim, um dia volta?
Volta e se completa!
Às vezes, não acho nem pista,
às vezes, acho que é rastro, mas se apaga,
às vezes, sigo migalhas até o abismo,
e é quando me desespero, é verdade,
mas não me jogo.
Volto e começo de novo.
Às vezes dá certo de cara,
às vezes só depois de anos é que se tem outra chance.
Às vezes, você passa vinte e nove anos só na vontade,
e um belo ano tudo desencanta,
tantas das sementes plantadas germinam,
e haja resto de juventude pra aguentar o pique,
o batente,
o jardim por bem cuidar,
os nós por desatar,
as horas,
as horas,
as horas,
as horas em que eu não mais me pergunto "e agora?".


(Júlio B.)
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