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Válvula De Escape

Entramos nas engrenagens cedo demais,
e obedecemos, estudamos, trabalhamos,
acreditamos em tanta besteira que se parar pra pensar...
Somos um monte de adultos que acreditam em Papai Noel com outro nome,
esperando o salário na conta no fim do mês,
esperando a vida segura e ordinária,
esperando a morte chegar...

E este era o momento em que eu queria poder dizer que eu não.
Mas não posso.
Eu também faço parte da maquinaria.
Ridículo, limitado, sistematizado,
entre contas a pagar e programas de fim de semana pra me entreter.

Aperto parafusos.
Enferrujo com o tempo.
Acumulo pressão.
Preciso de uma válvula de escape.

E tenho consciência disso tudo.

Então, sempre que dá,
ignoro totalmente as leis da mecânica,
dessas éticas e morais de porcas e fendas,
e me atiro em qualquer possibilidade
de funcionamento livre.

Mas essas coisas só funcionam se houver mais peças.
Então, invento.

Faço o que for preciso
pra dar vazão a tudo que arde em silêncio
na rotina da fábrica do mundo.

Os males me queimam,
os males que eu quero.
Os males imaginários,
males necessários.


(Júlio B.)
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