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Abstinência

É que viver também vicia,
muito mais do que sofrer, eu diria,
e pra quem tempo sempre foi problema,
ir com muita sede ao pote é quase lema,
é impulso incontrolável quando se vê a água,
que quando acaba vira mágoa,
abstinência forçada,
crise que não deixa pensar em mais nada,
o tempo todo olhando os canais,
na vigilha febril dos sinais
que nunca chegam, e fazem do tempo castigo,
que tortura com o sadismo de velho inimigo,
que faz temer não viver nunca mais,
e adoeço à espera dos sinais
que nunca chegam, e me enlouquecem,
pois os sentidos não esquecem
o sabor da água da vida que agora conheço,
que em dias como hoje, que não tenho, enlouqueço.


(Júlio B.)
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