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A Presas de Estocolmo

Atiro mais do que acerto,
e agora acerto mais do que preciso,
eu, que sempre precisei tanto!

Enquanto me viro como posso
na selva sorrateira em que me encontro,
eu me alimento não apenas da carne de minhas presas,
mas também do olhar de encanto que sustentam
ao virem de bom grado
ouvir o canto que é um uivo disfarçado,
artimanha primitiva,
pra alcançar o desejo primitivo.
Vêm em tal número
que já não consigo mais mantê-las todas presas,
e muitas se vão, muitas se perdem,
muitas chegam até a me ferir,
o que já me fez pensar
que meu truque havia sido desvendado.

Mas as coisas andam de um jeito
que agora é até comum elas voltarem,
certamente por nunca terem percebido
a armadilha à qual se entregavam.


(Júlio B.)
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