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Depois Da Estiagem

Do fundo de um poço seco,
na madrugada de um sábado árido,
eu me quebrei por inteiro,
sozinho e nostálgico.
E foi quase sem querer
que consegui muito mais do que me reconstruir.
Eu fui além, muito além,
e nunca estive tão bem.
Sim, sim, por causa de alguém.

Mas não durou muito,
ele era rápido no gatilho.
Mas, no próximo sábado,
lá estava eu a fugir do poço seco novamente.
Havia aprendido o caminho.
Talvez eu não encontre tudo o que encontrei naquele,
mas não tenho do que reclamar dos sábados,
e sempre haverá um outro sábado,
e a sexta antes, a quinta...
Os domingos, antes mortos...
Com algum esforço a quarta,
e por que não a terça?
A segunda?

Depois da longa estiagem,
a tempestade que chega
nem sempre é da cor dos olhos que beijo,
mas beijo.


(Júlio B.)
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