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Avenida Bernardo Vasconcelos

Era tão tarde, e houve um sim.
De uma esquina da Bernardo Guimarães,
cruzando a Bernardo Monteiro algumas quadras depois,
como pude não encontrar a Bernardo Vasconelos,
onde, ferida e com no frio, havia também uma espera?
Onde, a cada minuto de atraso, o encanto se quebrava?
E eu não podia fazer nada.
Eu não tinha ferramentas pra pedir socorro no meu naufrágio,
eu só tinha um bote salva-vidas, e só me restava remar.
Devia haver mangabeiras e chachoeiras,
mas fui atracar em Portugal.
O que eu posso fazer pra me desculpar
por não ter chegado ao destino marcado?
Houve um sim e a espera,
mas me perdi na minha ansiedade,
na minha fome de matar a solidão a todo custo.
O naufrágio foi erro meu,
e no cais de algum porto alguém praguejou a minha ausência.
Mas eu fui.


(Júlio B.)
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