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Escrito A Mão

O que seriam apenas palavras, encontram sentido e transmitem emoção.
O que seria minha sorte, no fundo, é aversão.
Desejos inconstantes talvez fossem a solução,
mas meus desejos não me deixam fugir de mim mesmo não.

E minhas palavras giram, giram, e giram,
mas sempre voltam a falar sobre a minha velha e triste sina:
a saga do cavaleiro solitário
que vaga por florestas sombrias em busca de alguma luz.

As metáforas servem de esconderijo, mas também exaltam beleza.
Eu poderia até correr de encontro ao moinho,
se eu não soubesse tão exatamente a incerteza disso tudo.
Ah! Talvez, algum dia...

Ainda me lembro de doces palavras,
doces palavras escritas a mão.
Ainda sinto o estranho vazio daquele sentimento,
confuso sentimento e amargo vazio dos quais preferia fugir.

Mas em algum momento entre os tantos em que fraquejei,
senti que eu já não estava mais tão despreparado assim.
Ver a cara da morte me ensinou a viver.
Escrevi o que sentia e vi que era bom, e assim me fiz mais constante.

Deixei de tentar me encaixar num mundo sem sentido,
e apenas me senti.
Escrevi a mão o meu sentimento, o meu desejo.
Escrevi quando ninguém poderia me escutar.


(Júlio B.)
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