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Tietê


A loucura está presente.
A loucura de quem quer, de quem sente.
A loucura de uma cidade que não cabe mais gente.

Na lucidez o tempo evapora,
as semanas devoram os dias em horas.
Tudo tem hora marcada, mal chega e já vai embora.

Se há clímax, pouco dura.
As fatias que sobram de alguma gostosura
são só pra quem assume o risco de abraçar a loucura.

A proporção é sempre injusta.
O suor que escorre na face e tanto custa
é a prova de que quanto mais sensato, mais se frustra.

A loucura é transparente,
andando de um lado pro outro apressadamente
ao longo de linhas que terminam sempre no mesmo batente.

E isso não se mede,
a cidade que não dorme, o rio que fede,
o terminal da correria da imposição que nunca cede.

E não tem como evitá-lo:
dinheiro que domina e escorre pelo ralo,
desejos excêntricos que movem e motivam tanto estalo.


(Júlio B.)
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