Início | Versos | Prosas | Músicas | Sobre Mim


A Grande Peça, em Quatro Atos, Até Agora

No começo, era necessidade,
Era aprendizado, era vontade,
era o básico, era a renascença,
o que todo mundo entendia,
o que despertava poucas suspeitas
sobre a minha encenação.
E foi assim que eu finalmente comecei a coçar
essa coiceira que sempre foi o meu motor.

Depois, encontrei a filantropia
como resposta para as chances desperdiçadas
pelo básico da necessidade.
Era fácil e era argumento suficiente
pra não ser questionado sobre minhas intenções,
embora a caracterização do personagem
deixasse algumas pistas sobre a ficção.
Sob essa máscara, interpretei também
tantas cenas que aliviaram a minha vontade urticária.

Então, veio a capitalização
e a sua sufocante falta de tempo,
onde dinheiro passa a ser problema e solução
numa bola de neve que se alimenta da gente.
Oferta e procura todo mundo entende,
mas não é todo produto que se vê nas feiras.
Ainda assim foi um método razoável
de esfregar o meu comichão de enlouquecer,
embora não-sustentável.

Por fim, foi por sentimento,
foi pelo vínculo que se estabelece entre duas pessoas,
foi baseado em promessas e na crença nelas,
foi dando meu coração em troca de um esfregão.
Por fim, eu aprendi a contar com o amor.
Mas amor é, de todas as escusas,
a mais falha, a mais frágil, a que mais engana,
a que me fez entregar tanto meu coração
e não receber nada em troca.


(Júlio B.)
www.000webhost.com