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A Cidade Chora

Os olhos sem sono na madrugada
da minha última noite aqui
veem através desses vidros altos
a avenida como dois riscos coloridos:
vermelho indo, amarelo vindo,
na pressa e loucura dessa cidade que não para.

Aprendi a chamar as ruas por seus nomes
e assim passei a senti-las como minhas.
Contei poetas nas esquinas
sem que eles nunca soubessem
do estado em que me encontro.

Passei por muros altos que asseguram a ostentação dos ricos,
pelos funcionários que lavam seus carros por centavos,
pelos transeuntes quem nem notam
que somos todos internos de uma cidade enlouquecida.

Os olhos sem sono veem a manhã nascer sem sol,
no frescor nublado dos meus últimos passos,
na clareza acinzentada, na umidade relativa,
talvez os pingos sejam lágrimas...

A cidade chora,
e eu tenho que ir embora.


(Júlio B.)
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