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Das Tripas Coração

Quando a inocência passa a ser defeito,
sou eu quem não quer mais brincar,
não por ressentimento, nem por despeito,
simplesmente não é o que estou a buscar.

Eu dei os sorrisos e a minha inspiração,
o meu tempo, o meu sangue, o meu suor.
Eu dei muito de mim em cada situação.
Eu dei muito de tudo, e dei o meu melhor...

Engoli sapos,
costurei trapos,
inventei muitos tentos,
enfrentei moinhos de vento.

Mas, se no fim,
só serviu pra rirem de mim,
da minha ingenuidade,
então não quero mais de verdade.

Eu aprendi da forma mais dura
a dar valor às coisas mais puras.
E o puro nessa história fui eu,
o resto do encanto se perdeu.

Eu entrei em mim e usei minhas entranhas
pra criar algo novo e belo, tantas façanhas!
Eu olhei pras tripas, eu olhei pro coração.
Avisaram que, se eu fizesse, seria em vão...

Mesmo assim, eu fiz.


(Júlio B.)
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