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O Crivo Do Vampiro Que Se Alimentava De Mim

Eu quero de volta o braço
que tu arrancaste de mim.
Quero cada mínimo pedaço,
baço, pulmão, coração, rim.

Eu quero os meus sorrisos,
as horas que eram iluminadas
e tu levaste embora contigo,
pros jazigos da tua morada.

Eu quero me desintoxicar
do teu poder e influência,
do veneno que, ao me sugar,
inoculaste sem minha ciência.

O juiz que injetaste lá,
vou tirar de minha cabeça.
Eu nunca precisei passar
pelo crivo das tuas presas.

Se um dia quis te agradar,
foi de ingenuidade minha,
e isso eu posso perdoar,
mas não tua fome mesquinha.

Já os sonhos de outrora,
que em mim fizeste secar,
quero todos de volta agora,
isso não vou deixar passar!

Não quero tua arguição,
eu quero o meu calor!
Tu não tens pulsação,
não entendes minha dor.

Eu quero da vida a beleza
e não teu caixão de lodo.
Eu me cansei de tua frieza
sobre mim o tempo todo.

Se algum dia eu aceitei
servir-me como teu jantar,
bem, foi porque pensei
que tu ias me compensar.

Mas faz tempo vi que não,
que não retribuirias jamais.
De ti, só recebi condenação,
e ela era pesada demais.

Eu já estava definhando
ante o teu tribunal de fel,
mas, espera, desde quando
fui obrigado a ser teu réu?

Os banquetes que ofereço
não têm só a ti por julgador.
Teu desdém ao que mereço
não prejudica o meu sabor.

Tiveste sempre muito de mim
em sua balança de penhor,
mas não mensuraste nem assim
devidamente o meu valor.

Não importa que te zangues,
quero de volta cada pedaço,
cada litro do meu sangue,
beijos, sorrisos e abraços

que foram o teu alimento,
teu sustento e tua escolta,
por tão, tão longo tempo.
Eu quero tudo de volta.


(Júlio B.)
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