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Estrangeiro

A mudança sempre foi a minha grande tentação,
que me enlouquece, me entorpece, me atiça, desatina.
São os novos ares a minha verdadeira paixão,
até alegrias me cansam quando viram rotina.

Não me fixo, não me apego, preciso sempre partir.
Assim me fiz um estrangeiro aonde quer que vá.
Abro minha boca e logo dizem que não sou dali...
Mal sabem que o dizem em todo e qualquer lugar.

Desconhecem a colcha do meu sotaque de retalhos
de tantas vizinhanças e convivências de tear,
e de mais inúmeras excentricidades e atalhos
que costurei no meu modo de falar, agir, pensar...

Na superfície enxergam a normalidade a atuar,
mas sob um olhar atento a loucura não passaria.
E os que a veem não saberiam como me interditar,
nem mesmo me conhecem, se perguntassem, não diria.

E vou vivendo como um Crusoé de ilha em ilha,
fazendo de tudo o que for preciso pra ficar bem.
E sigo vivendo como uma Dalila andarilha
nesta devastada e solitária terra de ninguém.


(Júlio B.)
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