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A Ceia dos Miseráveis

Se eu abro a porta e te convido pra entrar,
é sabendo que no fim da noite você vai me roubar.
Se, à minha mesa, eu te convido a se sentar,
é sabendo o que você faz depois que come,
é sabendo que você só me usa e depois some.
Mesmo assim eu te convido, pois conheço a sua fome.

Muito além das lições e suas morais,
muito além das éticas de tempos de paz,
eu conheço a guerra na qual você luta,
os puritanos que te chamam de puta.
E, apesar de transitar entre eles agora,
não esqueci a dor que a maioria ignora.

Se, quando você cai, eu estendo a minha mão,
é porque estou preparado para a sua traição,
é porque, sim, eu sei como é duro o chão.
Eu já estive lá, baby, como você deve imaginar.
Mas não confunda a minha ajuda com querer te salvar.
Nem ao menos faço o que faço pra te agradar...


(Júlio B.)
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