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Contorno

Ando sempre pelas bordas,
sempre andei, desde de que cheguei aqui.
E, no pouco tempo em que voei pra longe delas,
foi numa visão do tobogã de seus altos e baixos
que eu entendi que era aqui o meu lugar,
que eu devia voltar.

Ando pelas bordas congestionadas,
figuro entre os rostos apáticos
que seguem viagem nesses bondes
de promessas de uma vida melhor,
que não queriam estar neles,
e apenas esperam o momento mais propício pra desembarcar.

Ando pelas bordas sem pensar,
é por instinto que eu o faço.
Sigo os contornos das formas que anseio...
São eles o que mais desejo no fim!
Os traços que circundam a vida que está por dentro,
a floresta de concreto e gente, e possibilidades.

Ando pelas bordas, e em círculos.
Demarco territórios ao chamá-los pelo nome,
tomo parte na guerra diária por espaço,
espero paciente na trincheira lotada
e saio pro ataque no momento mais certo
pra por um fim na dor que vivo a contornar.

Eu sempre a mantenho por perto,
que é pra ficar mais fácil me achar.


(Júlio B.)
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