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Acerca De Pinheiros

Correndo em círculos atrás do mesmo objetivo
do qual nunca nem passei perto por esses lados de cá,
nessa cidade recorrente onde até as praças são redondas.
À sombra de suas árvores, fui traído sem nem mesmo um beijo,
traído e feito em pedaços num segundo como escória,
entregue à cilada dos leões mais ferozes dessa terra sem lei,
famintos por imporem suas convenções como verdade absoluta.

Andando por essas ruas, comecei a ser eu mesmo,
a andar a esmo providenciando a realização
que o mundo em volta sempre insistiu em me negar.
Foi aqui que aprendi a me virar com o que tinha,
a filtrar o meu desejo do ouro de tolo,
a elaborar a idoneidade dos contratos que precisava,
a conseguir as pemissões sob as excusas mais sociamente aceitas.
Andando por essas ruas, eu comecei, de fato, a minha busca.

Essas ruas curvas dessa cidade nua
pelas quais trafegam tantos pontos aos pares
definindo retas que vento sopra esplendorosamente,
e que eu tanto admiro,
e que é o que procuro.

Apesar do abandono e do encardido,
essa cidade ainda tem mais encanto
do que qualquer outra que eu tenha visto,
é a beleza que a mim sobressae,
é o detalhe que salta aos olhos,
é a cabeça que se vira em semicírculo
pra prolongar mais alguns segundos a contemplação
do movimento do herói que atira flechas no meu calcanhar.

Correndo em círculos, com flechas nos pés,
entre a desgraça e a beleza,
nessa cidade de pinheiros inexistentes,
eu finalmente me sinto outra vez completamente só,
quebrando a casca de indiferença que me mantinha suspenso,
pra, enfim, voltar a sentir as coisas com intensidade,
mesmo que, agora, tristeza.


(Júlio B.)
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