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Lá e Cá

Reduza-me o quanto você precisar pra se sentir melhor,
modele-me pra ser morno e cinza
enquanto você rouba a minha cor, o meu calor.
Use-me como trampolim para os seus saltos.
Ridicularize o meu estilo.
Banalize-me com seus adjetivos cheios de traças.
Dê valor a tudo o que não é meu,
e faça parecer em vão o meu suor.
Ignore a minha dor, quem se importaria?
O pedestal em que você se coloca é muito alto,
de onde você observa insensivelmente o seu mundo,
que gira em torno do seu umbigo e do seu gosto,
e não vai um centímetro além disso.
Seu reino não me cabe,
e eu queria tanto te agradar...
Mas já não sei se quero mais,
não sei se quero o mal que você me faz.
Eu sempre tive muito a oferecer,
do meu modo particular e original,
toda a minha criação sempre foi original.
Não quero perder isso,
nem por você, nem por ninguém.
Continue agindo assim até me queimar completamente
e, enquanto gritarem em volta das minhas cinzas,
ignore-me do auge do seu sucesso.
Ou quem sabe eu me mande antes?
Quem sabe eu me canse disso tudo?
Quem sabe eu dê valor às minhas repetições,
criações, pulsões, paixões...?


(Júlio B.)
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