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Pequenas Paisagens

Sinto arrepios que eu não sei de onde vêm,
quase miragens, olhos que buscam alguém.
Faz tanto frio, e eu não consigo ir além
de paisagens que eu já conheço bem.

Entre sombras e cinzas, o corpo em brasa,
a lua cheia no céu, vazia a casa,
e tudo ao redor apenas me consome,
até ouço o vento dizendo seu nome.

No vão das horas, eu só penso em você,
mas tudo ignora o afã do meu querer.
Será que um dia você vai perceber?
Será que um dia isso para de arder?

Rabisco vagões na janela embaçada.
Vago em estações, olho e não vejo nada.
Passo os meus dias a vigiar o trem,
mas você nunca vem, você nunca vem.

Ouço o relógio sempre a zombar de mim
no tique-taque dessa espera sem fim.
Vejo o seu vulto, mas sempre a se esconder,
as paredes parecem não me caber.

Entre o teto e o piso frio eu me aperto,
longas esperas, grandes são os desertos,
e tudo que vejo é um grande deserto
quando chove e você não está por perto.


(Júlio B.)
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