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Se Eu Não Voltar Pra Casa Hoje

Você sabe que, apesar de tudo, eu sempre acreditei nessa coisa de amor.
E agora que finalmente o encontrei, vou até o fim com isso,
vou porque acredito, mesmo que termine em tragédia.
Sempre tive mesmo algo de trágico,
você sabe, simpatizo com a estética.
Até tentei ser um artista, mas nunca consegui criar coisas belas,
só consegui escrever palavras que no fim não mudarão nada,
não aliviarão do nenhuma, não dirão nada sobre o meu tempo,
não subverterão nenhuma dominância e opressão,
no máximo servirão como lembrança de mim,
mas nunca foi este o meu ponto.
Será que realmente terei leitor pra esse poema?
Você acha que não me pergunto isso o tempo todo?
Pra você, mudou alguma coisa?

Seu choro amparado em meu colo doeu mais que qualquer coisa
que eu já tenha sentido nessa vida,
e ainda assim foi o ápice da minha vida amorosa.
Foi quando eu realmente não soube o que falar.
Eu me rendi ao silêncio e decidi que ia até o fim.
As lágrimas mais amargas que já senti não foram minhas, foram por mim.
Foram lágrimas do desejo de estar comigo, da proibição de não poder estar.
Ah, aí está algo pelo qual vale a pena viver e morrer!
Se aquilo não foi amor, então não quero mais o amor,
eu quero o que aquilo é.
A rosa não muda o perfume com outro nome.

Mas eu chamo de amor.
Sempre chamei e sempre chamarei.
É a maior certeza que já tive.
Se eu morrer por isso, veja a ironia:
será pelo mesmo estúpido motivo pelo qual sempre falei que morreria
e ninguém levou a sério.
E que bonito...!
Terei morrido encarando de frente,
lutando pelo meu amor,
acreditando em amor.


(Júlio B.)
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