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A Poesia Da Última Noite Antes Do Fim De Uma Longa Busca

Guardo esse título há anos,
pra escrever um poema de empolgação
de dentro da ansiedade da interminável noite
que precederia o dia em que eu finalmente encontraria
o grande amor da minha vida.

Por vezes, achei que esse dia nunca chegaria.
Sou sempre otimista, acredite,
mas otimistas surrados também duvidam.
Por vezes, cheguei a escrever poemas para esse título,
mas no outro dia, não era amor, não era nada,
só mais um poema jogado no lixo.
Por vezes, cheguei a desistir desse capricho...
E, de fato, agora que o uso,
não o faço no ensejo previsto.

Não escrevo esse poema na ansiedade da noite,
escrevo agora, dias depois, em sua memória:
a última noite antes do fim de uma longa espera.
Escrevo por se tratar de uma noite que mereceria
todos os poemas que eu pudesse escrever
sobre dor, frustração, rejeição,
e sobre como se segurar em si mesmo
e acreditar que algo de bom ainda virá.
A noite me derrubou pra valer,
mas me foi tempo o bastante pra fazer planos...
E no outro dia um deles se realizou.

Escrevo agora à noite morta,
viva apenas na lembrança de um fundo do poço
do qual eu consegui me erguer; e por isso escrevo.
Escrevo com a tinta feita da cinza das horas.
Suspiro o ar da novidade, escrevo sorrisos.
Escrevo porque encontrei alguém que preenche
o vazio com que teci todos meus lamentos de solidão.
Escrevo pra celebrar:
eu encontrei alguém após tão longa busca.

Mas, acredite, eu tive de me esforçar até o limite.
A noite à qual escrevo foi o limite.
Eu tive de quebrar muito a cara e dá-la a tapa.
Eu tive de percorrer muito chão,
deixar muita coisa pra trás,
abrir mão de muita coisa que sempre fará falta.
Eu tive de me arriscar o tempo inteiro,
em lugares nem sempre nomináveis,
fazendo todo tipo de coisa.
Mas ou era isso, ou era desistir.

Dizem que encontramos os grandes amores
quando não estamos procurando um...
Que é sempre quando menos se espera.
Mas comigo não foi.
Eu estava procurando sim,
em mais uma rodada desesperada
da minha longa busca interminável.
Não foi quando eu menos esperava,
foi quando eu mais esperava.
Foi quando eu mais me empenhava.
Foi quando eu mais precisava.

Guardo esse título há anos,
esperando o dia de poder falar que a espera terminou.
Terminou.
A noite que precedeu foi trágica, mas não importa agora,
não quero mais falar sobre o que deu errado.
Finalmente, deu certo.
Sorrio, e concluo esse poema com um dolorido suspiro de alívio.


(Júlio B.)
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