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Cento e Setenta e Seis

Cento e setenta e seis dias,
dezesseis horas,
vinte e nove minutos,
vinte e dois segundos,
e imprecisos milésimos.
E mesmo depois de tanto tempo
a ferida continua aberta.
E não adianta tentar parecer forte,
fingir que superei.
De nada vale o discurso de que o tempo cura.
Não adianta tentar ser sensato e ter a cabeça no lugar,
porque é nas manifestações inconscientes que eu sei,
percebo: a ferida ainda está aberta.
Ainda sofro com as consequências dos seus atos,
da sua covardia, do seu medo, da sua suposta inocência.
Sofro física, psicológica e financeiramente.
Sofro em meus sonhos e pesadelos, e também acordado.
Atormenta-me todo o tempo o que sinto a seu respeito.
Maldito seja você, que destruiu dezenove anos da minha vida,
que derrubou por sadismo a minha máscara e despedaçou meu coração!
Maldito seja você, covarde!
Eu não me mostro, mas assumo o que eu gosto,
e não gostei do que você fez.
Foi um golpe desleal e forte demais pra eu aguentar.
Cento e setenta e seis dias,
dezesseis horas,
trinta e três minutos,
vinte e quatro segundos,
e imprecisos milésimos.
E eu ainda sofro pelo que você me fez.


(Júlio B.)
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