Início | Versos | Prosas | Músicas | Sobre Mim


A Reforma Dos Ofícios Através Dos Vícios

Quem diria?
No auge da sua atrofia, você encontra poesia.
Quem diria que você se reinventaria?
Agora, até parece um poeta,
justo quando a vida é mais reta
e a criatividade mais ilícita!
Esta sua tara esteve sempre implícita?
O gosto por descobrir as brechas,
de tocar as mechas...?
Você diz que não,
mas mantém sua aversão à moral e à ética,
só que agora você as põe de forma poética
em sua nova cruzada pirata, cética e herética.
Agora você flerta com estética o tempo inteiro,
escreve poemas no banheiro,
acerta ideias no alvo como um arqueiro,
desossa todas elas como um açougueiro,
manuseia-as como se fosse cego,
monta tudo de novo como se fosse lego,
encaixa-as como tetris, bate-as como prego,
em seu novo ofício de carpinteiro,
marceneiro, pedreiro, costureiro,
costura as palavras em versos
e os versos em moldes diversos,
conseguindo um resultado disperso.
Agora, seu dandi cult perverso,
quando tudo deveria ser o inverso,
você finalmente para de querer ser cabeçudo,
de procurar significado em tudo,
de buscar apenas conteúdo.
A busca, você sabe bem qual sempre foi,
em cada movimento de cada músculo:
aquele desejo maiúsculo!


(Júlio B.)
www.000webhost.com