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Ourela

Sentados no sofá que nem criança,
éramos de perto só distância.

Eu também era a minha crença,
minha imprudente insistência,
malfadada e infantil esperança.

Mas prevalecia a sua ausência,
rasgava a carne a indiferença,
toda a sua singela arrogância.

Só o silêncio cortava as cenas,
um desperdício de dar pena,
pois eu tinha muito a dizer,
mas você só tinha olhos pra TV.

Tanto anseio em mim se misturava,
que por fim não encontrei uma palavra.
Risos sem graça e desajeito,
um balaço de embaraço no peito.

Sentados lado a lado tão relapsos,
éramos proximidade em colapso.
E eu era o amargo de um fracasso,
mal feito até o laço do cadarço,
o encanto cada vez mais escasso.

Eu não sei mais o que eu faço,
nem pra onde vão meus passos.
Sei que estou de partida, um abraço.


(Júlio B.)
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