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Câmera Criogênica

Tão suave ao transitar na imaginação de tudo o que é possível,
ao transformar infertilidades em primaveras,
ao voar nos ares dessa grande selva cheia de feras.
O frio congela a tímida esperança,
faz desacreditar no sol da bonança,
mas não é o bastante para sentenciar o fim,
apenas adia para um momento mais propício.
Funciona assim, como uma câmera criogênica
para o meu desejo prisioneiro
que não consegue escapar dos cativeiros desses tempos arredios.

Os profetas de rua gritam ao vento desatinos,
cornetas de um apocalipse requentado:
o fogo queimará até o último pecado,
acordará o gigante adormecido...
Mas ninguém dá ouvido,
eu passo batido; logo eu e meu ateísmo,
de fazer o bem pelo bem, e não por medo.
A navalha da culpa não corta a carne
que já aprendeu a lidar com as feridas expostas.

Os sentimentos frágeis foram todos sucumbindo com o tempo,
na secura estéril de noites dormidas sozinho na cama.
Dos sonhos, só restaram as quedas que nos acordam de madrugada,
seguem silenciados no coração,
agarrados a um fio de otimismo,
que é a minha maior virtude.


(Júlio B.)
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